transtorno bipolar

Mitos e verdades sobre o transtorno bipolar

Você provavelmente já ouviu alguém se referir a outro dizendo assim: “Nossa, mas fulano é muito bipolar. Mais cedo estava de boa, agora está aí desse jeito. Eu, hein?”. Esse é apenas um exemplo clássico de como ainda existe muito desconhecimento acerca dos problemas de ordem mental. No caso do transtorno bipolar, as particularidades do distúrbio são bem mais complexas do que se propaga no senso comum.

Neste artigo, trazemos para você os principais mitos e verdades sobre o assunto.

Mitos e verdades sobre o transtorno bipolar

Quem tem bipolaridade muda de humor toda hora durante o dia

Mito. O transtorno é caracterizado por períodos de depressão e de mania (ou hipomania). A mudança de um para outro varia de acordo com as condições de cada caso, em semanas ou meses. Sabe-se que as fases depressivas tendem a ser mais longas em relação aos episódios maníacos e hipomaníacos.

O problema tem forte carga genética

Verdade. Trata-se de uma das patologias psiquiátricas com maior influência genética. Isso não quer dizer, porém, que todas as pessoas de uma mesma família, cuja presença da bipolaridade já foi diagnosticada em um dos membros, manifestarão o problema. Outros elementos entram em cena, como ambiente e estrutura familiar e social.

Não tem tratamento

Mito. Tem tratamento e, quanto antes o diagnóstico for realizado, mais significativas as chances de sucesso no processo terapêutico. Esse processo inclui medicamentos para estabilizar o humor, antipsicóticos e antidepressivos, além de psicoterapia e integração em grupos de apoio. Em alguns casos, pode ser necessário hospitalizar o paciente, sobretudo quando ele apresenta comportamento suicida.

O diagnóstico é difícil

Verdade. O próprio sujeito pode, em quadros mais leves do distúrbio, confundir os aspectos da bipolaridade com características de sua personalidade. É preciso salientar, também, que a patologia guarda muitas similaridades com outras doenças psiquiátricas, como dependência química e transtornos de ansiedade e alimentares. Levantamentos indicam que o indivíduo pode demorar cerca de 10 anos para saber que o conjunto de sintomas que o incomoda é, na verdade, algo sério, estudado e tratável.

Não existe conexão entre suicídio e bipolaridade

Mito. Não só existe como, segundo a literatura científica, o risco de o bipolar cometer autoextermínio durante a vida é 15 vezes maior em relação à população geral. Tal fato torna essencial elevar o conhecimento de familiares e pessoas próximas sobre as particularidades do transtorno. Sabe-se, também, que os sintomas psicóticos (como alucinações e delírios) são mais comuns na depressão que ocorre no transtorno bipolar do que na depressão que ocorre isoladamente.

Como se vê, o transtorno bipolar é um problema sério, desencadeado por mecanismos estruturais e funcionais (genéticos, biomoleculares, celulares, químicos). Estima-se que, no país, a patologia atinge mais de 2 milhões de pessoas, o que equivale a 1% de toda população brasileira. Os mitos e preconceitos sobre a bipolaridade, infelizmente, ainda prejudicam a difusão correta de informações acerca do tema. Por isso, sempre informe-se e esteja preparado para ajudar quem precisa.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em Foz do Iguaçu!

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