Acumulação Compulsiva

Acumulação compulsiva: como diagnosticar e tratar?

A acumulação compulsiva é um transtorno que se caracteriza pela aquisição excessiva de objetos e, ao mesmo tempo, uma incapacidade de descartar ou se desfazer desses itens. A acumulação de objetos é tamanha que eles passam a ocupar e a cobrir todas as áreas da casa, impedindo, assim, a passagem e o uso de móveis e eletrodomésticos.

Pessoas com esse transtorno acumulam objetos aleatórios, muitas vezes encontrados na rua ou em latas de lixo. Quem sofre de acumulação acredita que tais objetos possam ser úteis algum dia ou possuir algum valor monetário.

Além de objetos como jornais, roupas,  itens quebrados e objetos de uma maneira em geral, os pessoas que sofrem desse transtorno podem, também, acumular animais.

Dados apontam que entre 2% a 5% dos adultos sofram com a doença, embora os sintomas iniciais apareçam ainda na infância. Inicialmente, os sintomas podem ser leves, entretanto, tende a piorar conforme o indivíduo envelhece. O efeito Dunning Kruger faz com que os acumuladores não reconheçam o transtorno, o que pode tornar o tratamento mais complexo e delicado.

Embora possa afetar a todos, esse transtorno é mais presente em pessoas acima de 60 anos. Apesar de atingir ambos sexos, alguns estudos apontam que mulheres são mais afetadas que homens. Esse índice pode ser maior devido à expectativa de vida, já que mulheres vivem mais do que homens.

Estudos mostram também que grande parte dos acumuladores vivem sozinhos, sendo que apenas 10% vivem com companheiros. Outra característica observada é que o transtorno de acumulação pode ser desencadeado por uma ruptura existencial ou social, como a morte de um ente querido, perda de status social ou de um emprego.

Sintomas da acumulação compulsiva

As manifestações clínicas desse tipo de transtorno podem abranger:

  • Dificuldade em se desfazer ou descartar de objetos, mesmo que eles não tenham utilidade
  • Acumulação de objetos em todos os locais da residência
  • Estar sempre em busca de novos objetos
  • Sentimento de angústia quando são forçadas a se desfazer de objetos

Além disso, acumuladores compulsivos possuem problemas de organização, deixando objetos espalhados e criando pilhas pela casa. Por isso, riscos de incêndio e proliferação de doenças provocadas por ratos, insetos e sujeira colocam em risco o acumulador e quem vive com ele.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito baseado de acordo com o comportamento do indivíduo. Para isso, o médico analisa os sintomas do acumulador.

O tratamento é realizado por um médico psiquiatra, que pode indicar o uso de medicamentos, como antidepressivos e terapia, que visa:

  • descobrir o que desencadeou a acumulação
  • incentivar o paciente a descartar os objetos
  • conseguir organizar a casa
  • desenvolver a habilidade de tomada de decisão
  • desenvolver habilidade de relaxar

Como parte do tratamento, o paciente passa a receber visitas em sua casa para a manutenção do espaço. É importante ressaltar que o tratamento pode demorar ou ser feito durante toda a vida.

A acumulação compulsiva é um transtorno que deve ser levado à sério, uma vez que pode desencadear problemas como depressão. Além disso, o ambiente em que vive o acumulador torna-se um fator de risco para a proliferação de pragas, fazendo com que a saúde de toda a vizinhança seja colocada em risco.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em Foz do Iguaçu!

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